Avaliação da IUCN aponta risco de colapso dos ecossistemas; classificação não significa que os recifes já tenham desaparecido.
A primeira avaliação global da Lista Vermelha de Ecossistemas de Recifes de Coral classificou cinco das oito ecorregiões brasileiras analisadas como criticamente ameaçadas. O resultado foi divulgado pela Agência Brasil às 14h53 desta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, com base em levantamento da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Quais áreas brasileiras foram classificadas
A avaliação abrange os Parrachos; o conjunto Atol das Rocas e Fernando de Noronha; a Costa dos Corais; a Baía de Todos os Santos e o Baixo Sul; e Abrolhos. Três outras ecorregiões do país não receberam classificação geral por falta de dados suficientes.
A categoria “criticamente ameaçada” descreve risco muito elevado de colapso do ecossistema. Ela não quer dizer que os recifes já tenham colapsado: a classificação busca indicar a urgência de proteção enquanto ainda há corais vivos e funções ecológicas a preservar.
Calor marinho é a principal pressão
O aquecimento dos oceanos e as ondas de calor marinhas estão entre as ameaças centrais. A reportagem da Agência Brasil registra episódios severos de branqueamento e mortalidade de corais em 2019 e 2020 e novamente em 2024. Sobrepesca, ocupação costeira, sedimentos e nutrientes também pressionam os recifes; atividades como exploração de petróleo e gás, mineração e navegação podem aumentar os impactos em algumas áreas.
A análise da IUCN considerou mudanças observadas e projeções climáticas. Sob um cenário intermediário de emissões, as cinco ecorregiões brasileiras foram classificadas como criticamente ameaçadas quando incorporadas projeções de estresse térmico marinho para os próximos 50 anos. A classificação de risco não substitui o acompanhamento local de cada recife.
Quadro global
No levantamento mundial, 127 ecorregiões de recifes foram avaliadas em mais de 80 países. A IUCN classificou 122, ou 96%, como criticamente ameaçadas, em grande parte devido às projeções futuras de aquecimento. O relatório também registra que quatro ecorregiões globais não tinham dados suficientes para avaliação, três delas no Brasil.
Verificação: Agência Brasil, 29/10/2026, 14h53; avaliação global da IUCN, divulgada em 22/10/2026. Locais e contagens conferidos nas duas fontes. A categoria é apresentada como risco de colapso, não como colapso já ocorrido.