Economia · Bangkok

Banco Mundial negocia ajuda de crise com até 40 países antes de reunião em Bangkok

Instituição avalia apoio diante da alta da energia e dos fertilizantes; pacote pode chegar a US$ 100 bilhões se o cenário piorar.

Por Redação Studio Agora · Publicado em 11 de outubro de 2026 às 08:10

Delegações internacionais chegam a centro de convenções em Bangkok
Delegações se reúnem em Bangkok para os encontros anuais do FMI e do Banco Mundial. — Imagem editorial original criada por IA para o Studio Agora

O Banco Mundial está em conversas com 30 a 40 países sobre possíveis medidas de ajuda para enfrentar choques de energia e aumentos de preços associados à guerra no Oriente Médio. A informação foi dada pelo presidente da instituição, Ajay Banga, em entrevista à Reuters publicada neste domingo (11), antes das reuniões anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Bangkok, na Tailândia.

Segundo Banga, a economia global mostrou resistência maior que a esperada, em parte devido aos investimentos em inteligência artificial e a ajustes na oferta e na demanda por petróleo. Por isso, poucos países recorreram inicialmente à janela de US$ 25 bilhões criada pelo Banco Mundial no começo da crise.

Pressão sobre países em desenvolvimento

O cenário, porém, tornou-se mais difícil com a alta do diesel e dos fertilizantes, a perspectiva de um episódio intenso de El Niño e juros elevados. Banga afirmou que mais países poderão buscar recursos nos próximos meses.

Além dos US$ 25 bilhões iniciais, governos podem redirecionar até US$ 35 bilhões de projetos já aprovados. Se a situação piorar, o Banco Mundial poderá disponibilizar até US$ 100 bilhões, valor superior aos US$ 70 bilhões desembolsados durante a pandemia.

Estimativas da instituição indicam que países em desenvolvimento devem US$ 400 bilhões a credores externos em 2026. Os juros representam cerca de um terço desse total.

Capital privado e reestruturação de dívidas

O Banco Mundial informou ter mobilizado US$ 112 bilhões em capital privado no ano encerrado em junho, ante US$ 69 bilhões no período anterior. Somados aos US$ 123 bilhões aplicados com recursos próprios, o volume chegou a US$ 235 bilhões.

A América Latina e o Caribe responderam por US$ 36,3 bilhões do capital privado mobilizado. O Brasil aparece entre os dez maiores países destinatários, ao lado de Índia, Turquia, Romênia, Nigéria, Argentina, África do Sul, Bangladesh, México e Chile.

Banga disse ainda que Banco Mundial e FMI trabalham em iniciativas para enfrentar o endividamento elevado. Há 14 ou 15 operações de troca de dívida por desenvolvimento em preparação, com garantias destinadas a substituir passivos mais caros e direcionar a diferença para educação, saúde, água e programas ambientais.

Reuniões em Bangkok

As reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial ocorrem em um ambiente de energia cara, juros elevados e dívida pública crescente. A guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre combustíveis, fertilizantes e inflação devem dominar as discussões entre autoridades financeiras nesta semana.

Fontes consultadas

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