Negócios

Vendas da LVMH crescem 1%, mas fraqueza na China pesa sobre luxo

Grupo faturou €18,5 bilhões no terceiro trimestre; divisão de moda e artigos de couro recuou 5%

Por Redação Studio Agora · Publicado em 12 de outubro de 2026 às 15:58

Vitrine genérica de artigos de luxo com gráfico financeiro em queda refletido no vidro
Desaceleração da demanda chinesa pressiona os resultados do mercado global de luxo. — Imagem editorial original criada por IA para o Studio Agora

A LVMH registrou vendas de €18,5 bilhões no terceiro trimestre de 2026, com crescimento orgânico de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado ficou abaixo da alta de 1,3% esperada por analistas consultados pela Visible Alpha, segundo reportagem da Reuters publicada nesta segunda-feira (12).

O desempenho do maior grupo de luxo do mundo foi afetado principalmente pela deterioração da confiança do consumidor chinês. A Ásia, região liderada pela China nos dados da companhia, teve queda de 5% nas vendas, enquanto os Estados Unidos avançaram 5%.

Moda e couro recuam 5%

A divisão de moda e artigos de couro, responsável por quase metade da receita do grupo, registrou retração orgânica de 5%. O mercado esperava uma queda menor, de 1,8%.

O resultado aumentou a cautela sobre a recuperação do setor de luxo, que atravessa uma desaceleração há três anos. As ações da LVMH negociadas nos Estados Unidos caíram mais de 3% após a divulgação. Desde o início de 2026, a companhia perdeu cerca de 40% de seu valor de mercado, de acordo com a Reuters.

O segmento de relógios e joias cresceu 6%, mas perdeu ritmo em relação aos 9% observados no primeiro semestre. Essa categoria vinha demonstrando maior resistência do que bolsas e vestuário, embora analistas já identifiquem sinais de menor dinamismo.

China segue no centro das atenções

A diretora financeira da LVMH, Cécile Cabanis, afirmou a analistas que a confiança dos consumidores chineses piorou por fatores macroeconômicos, com impacto nos gastos discricionários. Medidas tributárias dirigidas a pessoas de alta renda também passaram a integrar as preocupações do setor.

Consumidores chineses respondem por aproximadamente um quinto das compras globais de luxo. A demanda desse público, que sustentou por anos a expansão das grandes marcas, perdeu força desde a pandemia.

Ao comentar as alternativas para recuperar o ritmo, Cabanis descartou medidas drásticas, como cortes de preços. Outras companhias relevantes do setor devem divulgar seus resultados trimestrais na próxima semana, oferecendo novos sinais sobre a trajetória da indústria global de luxo.

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