Grupo SPUR reúne mais de 80 integrantes em 20 países e inclui a Associação Nacional de Jornais do Brasil entre os novos membros.
O New York Times, a Agence France-Presse (AFP) e a revista The Economist aderiram nesta segunda-feira (12) a uma coalizão internacional criada para defender o controle e a remuneração do conteúdo editorial usado por sistemas de inteligência artificial.
A iniciativa, chamada Standards for Publisher Usage Rights (SPUR), foi lançada em fevereiro e agora reúne mais de 80 integrantes em mais de 20 países. Entre os novos membros também estão a revista The Atlantic e a Associação Nacional de Jornais (ANJ), que representa empresas jornalísticas no Brasil.
Coalizão quer padronizar controle e licenciamento
Segundo informações divulgadas pela Reuters, o SPUR é financiado pelos próprios participantes e trabalha na criação de padrões técnicos para que editoras e veículos possam acompanhar e controlar a utilização de seus conteúdos por empresas de IA.
O grupo pretende ainda facilitar acordos de licenciamento. Uma das iniciativas recentes é o Content Telemetry Standard, concebido para padronizar a forma como agentes de inteligência artificial registram e informam o uso de conteúdo de mídia.
Entre os integrantes fundadores estão Financial Times, BBC e Associated Press.
Uso de conteúdo alimenta disputa no setor editorial
A expansão da coalizão acontece em meio ao aumento das discussões sobre o uso de textos, imagens e outros materiais protegidos para treinar grandes modelos de linguagem. Editoras, autores e organizações jornalísticas vêm buscando regras que preservem a propriedade intelectual sem impedir o desenvolvimento tecnológico.
A Reuters informou que empresas de IA enfrentam ações judiciais movidas por veículos e autores. As alegações citadas nesses processos ainda dependem de decisão judicial e são apresentadas como contexto da disputa, sem conclusão sobre responsabilidade.
Queda no tráfego preocupa publicadores
Outra preocupação é a redução do tráfego enviado aos sites de origem. Respostas geradas diretamente por mecanismos de busca com IA podem permitir que o público consuma informações sem acessar a publicação responsável pelo conteúdo.
Um relatório do Reuters Institute, citado pela agência, apontou queda global de 33% nas referências de busca orgânica para mais de 2,5 mil sites entre novembro de 2024 e novembro de 2025, com base em dados da Chartbeat.
Para o mercado editorial, a discussão combina três pontos centrais: proteção da autoria, transparência sobre o uso de conteúdo e criação de modelos de remuneração que preservem a produção profissional de informação.