Dona do Daily Mirror enfrenta redução de audiência encaminhada por mecanismos de busca enquanto editoras tentam diversificar receitas e ampliar acordos de licenciamento.
A Reach, maior grupo comercial de notícias do Reino Unido e da Irlanda e dona de veículos como Daily Mirror e Daily Express, informou que sua receita digital caiu mais de 20% no terceiro trimestre de 2026. A companhia atribuiu parte da pressão à redução do tráfego de audiência encaminhado pelo Google.
A receita total do grupo recuou 14,1% no trimestre. As ações chegaram a cair 4,3% no início do pregão desta terça-feira, 13 de outubro, antes de reduzir as perdas.
Buscas enviam menos leitores aos sites
Editoras de notícias enfrentam um cenário de queda na circulação impressa e menor volume de acessos vindos de mecanismos de busca. O avanço de respostas prontas e resumos gerados por inteligência artificial dentro das páginas de resultados aumenta a preocupação do setor com a redução de cliques nos links originais.
A Reach afirmou que a receita digital continuou pressionada no terceiro trimestre e manteve postura cautelosa sobre o desempenho desse segmento no ano. Ainda assim, o grupo disse esperar resultados anuais alinhados às projeções do mercado.
O problema não começou neste trimestre. No primeiro trimestre de 2026, a empresa já havia informado queda de 8,1% na receita digital e associado o resultado à redução material do volume de referências originadas principalmente do Google.
Licenciamento de conteúdo vira alternativa
Enquanto a publicidade digital sofre com menos tráfego, a Reach informou que receitas obtidas fora de suas próprias plataformas foram favorecidas por acordos de licenciamento de conteúdo para inteligência artificial. O grupo também vem ampliando assinaturas digitais, vídeos, comércio eletrônico e parcerias para diminuir a dependência da publicidade tradicional.
No impresso, a publicidade recebeu apoio temporário da Copa do Mundo. A empresa também está fechando instalações de impressão e reorganizando operações para reduzir custos diante da queda nas vendas de jornais e da mudança dos hábitos de consumo de notícias.
O caso ilustra um desafio crescente para editoras e produtores independentes: manter presença em mecanismos de busca continua importante, mas a estratégia de audiência tende a exigir canais diretos, assinaturas, newsletters, redes sociais próprias, comunidades e novas formas de licenciamento.