Processador próprio para inteligência artificial começará a ser instalado em larga escala em 2027, com foco em eficiência energética e redução de custos
A Microsoft anunciou nesta segunda-feira (12) o Maia 300, terceira geração de seu processador próprio para inteligência artificial. A empresa planeja iniciar em 2027 uma implantação em larga escala que poderá superar 1 milhão de unidades, destinadas principalmente aos serviços internos de IA e à infraestrutura de nuvem.
O novo chip foi projetado para tarefas intensivas de processamento, como programação assistida e execução de atividades empresariais complexas por agentes de inteligência artificial. A geração anterior já é utilizada em modelos internos da Microsoft e em modelos da OpenAI oferecidos por meio da plataforma Azure.
Arquitetura combina tecnologias de 2 e 3 nanômetros
A arquitetura do Maia 300 utiliza chiplets, componentes especializados integrados em um mesmo conjunto. As funções centrais de computação empregam tecnologia de 2 nanômetros produzida pela Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, a TSMC.
Outros componentes usam processo de 3 nanômetros, mais barato, para funções como movimentação de dados entre o processador e os demais elementos do sistema. A combinação busca equilibrar desempenho, custo e consumo de energia.
Os processadores serão instalados em racks com 96 chips. Cada rack deverá consumir cerca de 167 quilowatts. Como referência, a Reuters informa que os servidores GB300 mais recentes da Nvidia reúnem 72 unidades de processamento gráfico e consomem aproximadamente 142 quilowatts por rack.
Microsoft promete maior eficiência por megawatt
Segundo a Microsoft, o Maia 300 realiza cerca de 40% mais computação útil por megawatt do que os principais sistemas baseados em unidades de processamento gráfico. A companhia não identificou quais sistemas foram utilizados nessa comparação.
A fabricante afirma que o ganho resulta da otimização conjunta do chip, da memória e da infraestrutura. O objetivo é aumentar a quantidade de processamento entregue por unidade de energia e por dólar investido.
A empresa prevê implantações de vários gigawatts do Maia 300 a partir de 2027. O movimento ocorre enquanto grandes companhias de computação em nuvem e desenvolvedores de inteligência artificial ampliam projetos de chips próprios para reduzir custos e diminuir a dependência de fornecedores externos.
A Microsoft estima realizar mais de US$ 175 bilhões em despesas de capital ao longo de 2026. Parte desse investimento é destinada à expansão dos centros de dados e da capacidade computacional necessária para sustentar o crescimento dos serviços de inteligência artificial.
O anúncio coloca a empresa em uma disputa mais ampla por eficiência na infraestrutura de IA. Nesse mercado, consumo elétrico, disponibilidade de memória e capacidade de implantação em escala se tornaram fatores decisivos para o custo dos serviços oferecidos a empresas e consumidores.