Philip Lane afirma que automação pode moderar salários, enquanto investimentos na tecnologia elevam custos de financiamento na zona do euro.
O avanço da inteligência artificial pode reduzir o poder de negociação salarial dos trabalhadores europeus, segundo Philip Lane, economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE). A avaliação foi divulgada nesta terça-feira, 13 de outubro, em reportagem da Reuters.
Lane afirmou que a adoção da tecnologia ainda não provocou uma mudança clara nas tendências de emprego. Mesmo assim, a contratação mais fraca já limita a capacidade de trabalhadores exigirem aumentos, e a possibilidade de substituição de algumas funções por sistemas de IA pode intensificar esse efeito.
Impacto sobre salários
Na análise do economista, o potencial de automação tende a enfraquecer o poder de barganha dos trabalhadores, moderar o crescimento dos salários e reduzir a participação da renda do trabalho na economia.
A observação está alinhada a uma manifestação oficial recente de Lane publicada pelo BCE. No documento, ele afirmou que a expectativa de substituição de parte dos empregados por inteligência artificial pode moderar a demanda por mão de obra e enfraquecer reivindicações por reajustes.
Lane também destacou que a inflação europeia, próxima do dobro da meta de 2% do BCE, tem sido impulsionada principalmente pela energia mais cara. Até agora, segundo ele, não há sinais claros de efeitos salariais de segunda ordem.
Investimentos em IA apertam condições financeiras
A expansão da inteligência artificial também repercute sobre os mercados financeiros. Lane disse que o forte volume de empréstimos globais destinado a projetos de IA pressiona os custos de financiamento de longo prazo.
Esse movimento torna as condições financeiras da zona do euro mais restritivas e, por isso, precisa ser considerado pelo BCE nas decisões de política monetária.
Ganho potencial de produtividade
Apesar dos riscos para salários e condições de crédito, Lane vê efeitos positivos possíveis no longo prazo. O aumento da produtividade associado à IA pode ampliar o potencial de crescimento da economia europeia e ajudar a compensar a redução da população em idade de trabalhar.
A dimensão final desses efeitos, porém, dependerá da velocidade de adoção da tecnologia, da reorganização das empresas e da capacidade de trabalhadores e instituições se adaptarem às novas exigências.