Índice ficou acima da previsão de analistas e se aproximou do limite superior da meta do banco central indiano.
A inflação ao consumidor da Índia acelerou para 5,54% em setembro, ante 4,83% em agosto, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (12). O resultado ficou ligeiramente acima da mediana de 5,4% estimada por economistas consultados pela Reuters.
O índice se aproximou do teto de 6% da faixa de tolerância adotada pelo Banco da Reserva da Índia (RBI), que tem meta de médio prazo de 4%. Setembro marcou o quarto mês consecutivo com inflação acima desse objetivo e o maior nível do ano na série atual.
Parte da aceleração decorre do efeito de comparação com preços mais baixos registrados no mesmo período do ano passado. Ainda assim, a alta de itens essenciais reforça as preocupações com o custo de vida e a trajetória dos juros.
Alimentos puxam a aceleração
A inflação dos alimentos avançou de 5,97% em agosto para 7,74% em setembro. Cebola, gengibre e alho estiveram entre os produtos que registraram pressões de preço, segundo os dados apresentados na reportagem.
O índice de transportes também ganhou força, passando de 4,6% para 5,01% no período. A permanência do petróleo Brent acima de US$ 100 por barril aumenta a atenção sobre custos de combustíveis, transporte e distribuição.
Condições climáticas desfavoráveis também afetam as expectativas. Uma temporada de monções abaixo do normal e a presença de um El Niño forte elevaram os riscos para a produção agrícola e para a demanda nas áreas rurais. Estoques públicos de grãos e medidas governamentais podem reduzir parte desse impacto.
Banco central já elevou a taxa básica
Na semana passada, o RBI aumentou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 5,5%. Foi a primeira elevação em quase quatro anos; o movimento anterior havia ocorrido em fevereiro de 2023.
Após a decisão, o presidente do banco central, Sanjay Malhotra, afirmou que a inflação cheia deve ficar próxima de uma média de 5,8% nos próximos três trimestres. A instituição também elevou sua projeção para o ano fiscal de 2027 de 5% para 5,2%.
O resultado de setembro fortalece a avaliação de que novas altas de juros podem ser necessárias para conter a disseminação das pressões inflacionárias. As próximas decisões deverão considerar a evolução dos alimentos, da energia e das condições climáticas.