Pesquisa com 1.701 empresas mostra aumento da frustração na busca por financiamento e impacto maior sobre negócios de pequeno e médio porte.
Os juros elevados continuam sendo o principal obstáculo para a indústria brasileira acessar crédito. Pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 9 de outubro de 2026, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 76% das empresas com dificuldades para obter financiamento de curto ou médio prazo citaram as taxas como uma das principais barreiras.
Nas operações de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos, os juros foram apontados por 69% dos empresários.
A Sondagem Especial 107 — Condições de Acesso ao Crédito em 2026 ouviu 1.701 empresas industriais entre 3 e 12 de agosto. O levantamento analisou as condições enfrentadas de fevereiro a julho e reuniu respostas de 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes empresas.
Garantias e burocracia também dificultam acesso
Depois dos juros, a exigência de garantias reais aparece como o segundo maior obstáculo. O problema foi mencionado por 33,4% das empresas no crédito de curto e médio prazo e por 31,5% nas operações de longo prazo.
A burocracia foi citada por 13,6% dos entrevistados nas linhas de menor duração. No longo prazo, 18,9% apontaram a carência insuficiente como uma dificuldade relevante.
Os juros ainda lideram o levantamento, embora tenham perdido algum peso. Em 2025, eram mencionados por 80% das empresas no curto e médio prazo e por 71% nas operações longas.
Frustração aumenta entre quem busca financiamento
Quase metade das empresas, 49,9%, não tentou contratar ou renovar crédito de curto ou médio prazo no período pesquisado. Outras 22,9% conseguiram financiamento, enquanto 7,5% buscaram recursos e não obtiveram.
Entre as empresas que efetivamente tentaram acessar crédito, a taxa de frustração subiu:
- de 20% para 24,7% nas operações de curto e médio prazo;
- de 33% para 37,2% nas operações de longo prazo.
As pequenas e médias empresas enfrentaram os maiores índices de insucesso no financiamento de longo prazo: 48,2% das pequenas e 48,1% das médias não conseguiram os recursos procurados, diante de 29,9% das grandes.
Capital de giro é principal destino dos recursos
Entre as empresas que buscaram ou contrataram crédito de longo prazo, 28,7% indicaram o capital de giro como a principal finalidade. O percentual superou investimentos em máquinas e equipamentos, citados por 23,6%, e construção ou instalações, com 11,6%.
Para facilitar o acesso ao financiamento, 38,4% dos entrevistados defenderam a redução dos custos tributários e administrativos nas operações de curto e médio prazo. A ampliação das linhas públicas e a simplificação das exigências bancárias também aparecem entre as principais propostas.